segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

In Treatment: Explicando a relação terapêutica entre Paul e Laura


Vou tentar explicar um pouco sobre transferência e contra- transferência num processo psicanalítico e utilizarei a relação terapêutica de Paul com Laura como exemplo. Utilizei um artigo cientifico de Luciana Rassier Isolan “Transferência erótica: uma breve revisão” como base teórica para explicar.  

O termo “transferência” foi utilizado pela primeira vez por Freud em 18951, no sentido de ser uma forma de resistência, isto é, um obstáculo à análise, a fim de evitar o acesso ao resíduo da sexualidade infantil.

Segundo Melanie Klein ao se estabelecer a relação terapêutica, o paciente revive os sentimentos, conflitos e defesas que experimentou na situação original. Klein entendia a transferência como uma reprodução, na figura do terapeuta de todos os objetos primitivos e relações objetais internalizadas no psiquismo do paciente, acompanhadas das respectivas pulsões, fantasias inconscientes e ansiedades.

Paul durante o processo psicanalítico com Laura alertou ela várias vezes e esse foi um dos grandes motivos dele não ter ficado com ela, pois o amor que ela expressava por ele podia ser uma repetição inconsciente de situações cujas origens se encontram no passado.

Em 1915, Freud se referiu ao “amor de transferência” como uma complicação do processo psicanalítico, que acontece com freqüência e no qual o paciente se diz “apaixonado” pelo seu terapeuta. Uma recomendação desse trabalho é que o analista deve reconhecer que o apaixonamento do paciente não deve ser atribuído aos encantos de sua própria pessoa.

Sandler fala sobre tipos especiais de transferência, descreve que há determinados pacientes que desenvolvem transferências eróticas e que podem se recusar a executar o trabalho usual de tratamento, podem rejeitar interpretações que relacionam os sentimentos atuais ao passado e não procuram mais nenhuma elucidação acerca do significado e da causa dos sintomas de que anteriormente haviam se queixado. As sessões são usadas para expressar o amor, a gratificação mediante a presença do amado, e esses pacientes imploram que o terapeuta corresponda ao seu “amor”.

O engraçado de tudo na relação de Paul e Laura é que ela falou para ele numa sessão que amava ele como ele era, que queria poder fazê-lo viver. Ela parou com a terapia quando disse que o amava, pois o amor dela por Paul era o centro das sessões.

O conceito de contratransferência foi introduzindo por Freud que o definiu como sendo aquilo que “surge no médico como resultado da influência que exerce o paciente sobre os seus sentimentos inconscientes”. Como na transferência, sua primeira atitude foi senti-la como algo inadequado e perturbador, a ser evitado. Diz ele que “nos sentimos quase inclinados a insistir em que ele deve reconhecer esta contratransferência existente em si mesmo e superá-la”.

Trago aqui a contra-transferência aqui porque Paul acabou se apaixonando por Laura. Tendo que acabar com o processo terapêutico. E no texto autora traz Teixeira da Silva que salienta o aspecto da necessidade do tratamento pessoal do terapeuta, foi de ajuda ele procura Gina, mas acho que ele já estava em crise pessoal e devia ter procurado ajuda antes.


A transferência erótica costuma suscitar determinadas reações contra-transferênciais no terapeuta, e os exames de tais reações são importantes na compreensão do paciente. Kernberg considera útil que o analista possa  tolerar suas fantasias sexuais sobre o paciente e inclusive deixar que se desenvolva na narrativa um relacionamento sexual imaginário, acompanhando, em sua mente, a transferência erótica do paciente. O analista deve, ao mesmo tempo, ser capaz de examinar o amor transferêncial sem atuar sua contratransferência no que possa se configurar como uma abordagem sedutora.





Fonte:

2 comentários:

  1. Esse texto está sendo muito útil pra mim no momento. Consegui entender o que pode estar acontecendo comigo. Estou fazendo terapia há uns 4 meses. Comecei o tratamento por causa de um amor não correspondido, só que de uma hora pra outra esqueci a menina que me fazia sofrer, algo que posso afirmar ser extraordinário, já que faziam 5 anos que esse problema me atormentava. Um dia percebi que comentava demais a respeito das minhas sessões e arrumava um jeitinho de tocar no nome da minha terapeuta no meu dia a dia, até me dar conta que estava pensando demais nela. Sempre bem vestida nos dias de terapia. Pronto, paixão detectada. Então contei a ela que havia acontecido um milagre, que não estava mais me importando com a pessoa que fazia sofrer. Dai, percebi um sorriso desabroxar em seu rosto, na hora! Porém ela tentava com todas as forças se conter ou não demonstrar muita emoção. Daí me pergunto, após ler este texto, se ela não percebeu que se tratava de uma transferencia erótica da minha parte para a dela?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ei, com certeza ela percebeu a transferência erótica da sua parte; mas profissionalmente e eticamente ela não deve corresponder, por isso no caso da série a Gina censurava o Paul sutilmente.

      Excluir

Este é um espaço de diálogo e troca entre os visitantes do blog. Compartilhe sua opinião respeitando a opinião dos demais. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, a posição do blog. Reservamo-nos o direito de excluir qualquer comentário que julgarmos inoportuno ou que não esteja de acordo com a política do blog: Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...