quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

In Treatment: Relação Paul e Adele




No primeiro dia de consulta com Adele, Paul leva o livro de Gina. Ele fala muito mal dela, tadinha, durante as sessões para mim é difícil escutar ele falando mal da Gina porque ela escutou ele e tentou ajuda-lo. E vamos combinar que Paul não é um paciente muito fácil não. Podemos ver nessa terceira temporada um Paul diferente mais solitário e mais perdido. Ele é arrogante ás vezes com Adele fica cortando o que ela vai dizer diversas vezes, que o torna chato e difícil de assistir a terapia dele porque é claro a fuga dele para não olhar para sua situação. Percebe-se que sua atual terapeuta fica vermelha e engole seco quando ele a afronta ou eleva a voz. Paul inventa um apelido para ela rainha de gelo freudiana (a Gina era a Aranha).

Paul ás vezes tirava Adele de seu papel de terapeuta pediu para ela ser supervisora, namorada, isso é o que ele fazia com Gina, ela desempenhou diversos papéis na vida dele: Supervisora, mentora, terapeuta e mãe. Adele uma vez falou com ele: “Você faz tudo que pode pra levar nossa relação a além seu propósito e do tempo proposto. Me pede pra ser sua colega, sua supervisora, sua parceira de vida tudo, exceto o que fez vir até mim ser sua terapeuta”.

Uma coisa interessante que aconteceu na relação de Paul com Gina e com Adele depois: Paul numa sessão com paciente ele conta essa história: “Lembro-me que tive um paciente que vinha aqui no consultório e antes de cada sessão dizia: "Espere." E aí ele tomava uma pílula. Como um ritual. Acho que no caso dele em particular o que queria me mostrar era seu tormento e sua dor”. Essa história contada por ele retrata o que ele fez com Gina e Adele porque com ambas ele levou remédio, pediu remédio e demonstrou está sentindo dor. E é importante lembrar que ele só procurou Adele por causa de remédio.   

Adele conseguiu listar algumas coisas que Paul tem, acehi muito legal essa fala dela: “toda vez que ouso te pedir pra olhar pra si mesmo ou seus padrões de comportamento você se zanga, aumenta a voz, fica impaciente e acho muito preocupante. Você não percebe o quão paralisado se tornou. Levou semanas pra falar com seu filho e só o fez depois que uma crise real te forçou a fazer isso. Não tem a habilidade de agir decisivamente com um de seus pacientes, apesar de dizer que está realmente preocupado com ele. Tem dúvidas sobre seu relacionamento atual, o qual não fez nada a respeito, se convenceu que tem uma doença debilitante, apesar das opiniões médicas serem contrárias. Eu gostaria muito de te ajudar a atravessar tudo isso, mas não consigo sozinha”. 

Paul numa sessão com Adele relata seu sonho:

“Eu estou correndo ao longo dessa cerca alta de ferro batido. Estou do lado de fora. É um campo, de dia, claro. A cerca começa a se curvar, e consigo sentir algo se abrindo à frente. Portões. E sinto essa agitação. Meu coração está pulsando forte. Sinto uma expectativa. Então, minhas pernas ficam pesadas, e começo a desacelerar como se estivesse preso em areia movediça. E não consigo me mover. Sinto alguma coisa atrás de mim. Viro minha cabeça, e vejo meu pai. Ele está andando em minha direção. Estou paralisado. Ele está se aproximando. Ele está se inclinando para mim. E acordo num sobressalto. Acordo assustado”. 

Paul com Adele tenta descobrir o que o sonho significa descobrimos que a cerca de ferro que rodeava era o internato que Paul estudou quando tinha 12 anos. A escola primária real de Lancaster, no norte da Inglaterra. Mas ele não ficou por muito tempo só um semestre e meio, ele afirma que foi muito feliz lá apesar de ter ficado pelo menos 6 meses. Ele saiu do internato quando seu pai conseguiu um emprego no sindicato memorial em Baltimore, duas semanas depois chegaram à América. Ele culpa o pai por não ter conseguido entrar e nem jogar nos times que queria na escola. Mudar para Baltimore foi um fato marcante porque seu pai, John, depois de um ano e meio que já estavam lá largou ele e sua mãe para viver com uma outra mulher. A mãe de Paul ficou doente logo em seguida assim ele teve que cuidar dela e ainda se adaptar a cultura americana que é bem diferente da dos ingleses. Adele acha que cuidar da mãe foi um jeito que Paul arranjou de se salvar também, ele se acomodou em culpar seu pai por tudo e não tinha que enfrentar a vida. Não é diferente do que ele faz hoje se enclausura em seu apartamento ou em seu consultório, se convence que está doente aceitando uma paralisia crescente ao invés de se arriscar a descobrir onde ou em quem sua paixão está.

Adele falando o que acha de Paul: “Acho que você é bastante experiente em obscurecer a vista, e não enxergar o que se passa na sua vida e rejeita seus sentimentos”. 

Paul fala para ela como se sente em relação ao Max e o Steve: ele começa falando sobre o Jesse que contou a sua mãe adotiva sobre a ligação da biológica e ao receber a notícia ela saiu correndo do quarto dele. Então ele prossegue dizendo: “Ela passou anos criando esse garoto alimentando, vestindo, tentando fazer o melhor possível para se conectar com ele. Aí vem essa outra pessoa, o sequestra, o reivindica como dela”. Assim, ele quis dizer que sente que Steve está se impondo, reivindicando Max para ele. 

Numa sessão Paul faz referencia sobre o livro de Gina e Adele pareceu demonstrou saber sobre o que fala quando ele fazia referência sobre o personagem Bartleby e depois Paul perguntou se ela sabia de quem ele falava e ela disse que sim que era o escrivão. O que o surpreendeu e o deixou satisfeito, acho que foi um teste para ver se ela realmente presta atenção no que ele diz e se ela tenta entender. 

Teve um episódio em que ele pede para ela alguns minutos extras, assim como uma vez Laura pediu para ele e ele não cedeu, Adele como uma boa terapeuta também não cedeu. Mas por alguma razão ela ligou para ele e deixou um recado para ele na secretaria eletrônica (episódio 3x22):

“Olá, Paul. Aqui é Adele Brouse. Eu Tenho um horário livre amanhã, às 13:00 estava pensando se não gostaria de ocupar. Tivemos uma sessão cortada na última sexta-feira e tenho preocupações pendentes. Talvez você também tenha. Se quiser um tempo extra para continuar, avise”.

E ele levanta uma questão interessante sobre a ligação (no episódio 3x24): “Você disse que tinha preocupações contínuas às sete e meia da manhã. Só quero entender o que sentiu de tão urgente. Porque não sei aonde estava pois meu telefone tem identificador de chamadas e o numero não era do seu escritório. Então você deveria estar em casa talvez tomando café da manhã? Estava esperando conversar durante o café sobre os sonhos dos meus pacientes”.





O telefone de Adele toca durante a sessão com Paul e ele percebe que ela está grávida. Em um momento da sessão ele começa a ficar nervoso porque estão falando de Sunil e ele não concorda com ele ae ela joga na sessão:

Paul: Por favor, podemos falar de um assunto mais agradável? Talvez Parkinson, Max e Steve ou aquecimento global.
Adele: Minha gravidez?
Paul: Esse é o seu jeito de me dizer que está grávida?
Adele: Tive a impressão de que você percebeu isso uns minutos atrás.
Paul: Então está grávida
Adele: Estou.
Paul: Bom, você também estava planejando me dizer onde está sua lista de presentes, pra eu te mandar um? Quando vai nascer?
Adele: Março. Te chateia ouvir isso?
Paul: Não.
Adele: Preciso dizer mas parece chateado, como se...
Paul: Como se fosse o quê?
Adele: Como se fosse um tipo de traição, como se...
Paul: Isso é ridículo.
Adele: O que é?
Paul: E é cruel, narcisista. Você me encorajou a falar dessas fantasias estúpidas. Imagino se todos os analistas fogem dos relacionamentos com seus pacientes.

Ai uma sacada – Para mim Paul fala de Laura apesar de está falando dele e de Adele –

Paul: Enquanto estou sentado me fazendo de tolo, viajando nessas fantasias idiotas, de beber juntos, jantarmos e discutirmos nosso trabalho. E de como você deve estar sozinha, de como você entende minha vida infeliz. E você fica aí sentada tranquila, me encorajando a realizar esses delírios. O tempo todo você escondeu que está em um relacionamento feliz construindo uma família.

Quando Paul fala o que sublinhei a cara de Adele é um máximo, pois mostra tristeza e vergonha. 



Adele: É isso que você supõe?
Paul: Quem se importa com o que eu suponho ou não? É tudo um monte de merda mesmo. Já estava planejado dar poder e emoção ao médico às custas da humilhação do paciente.
Adele: Nunca quis te humilhar.
Paul: Muito confortante. 

Laura disse diversas vezes que se sentia humilhada por Paul

Adele: Está mesmo bravo comigo.
Paul: Nem te conheço.  Como poderia estar bravo com você?

Adele acha que Paul se identifica com Sunil, pois ele é um homem solitário de 50 anos, atraído por uma mulher mais jovem que não gosta dele. Alertou ele sobre o que Sunil poderia representar para Paul:

“Você disse tantas vezes que se sentia insatisfeito com seu trabalho. Chamou a terapia de um monte de merda, e não fez nada sobre a sua insatisfação. Você no fundo está esperando que a situação com Sunil possa explodir e que isso vai te salvar de tomar decisões e mudar sua vida por si mesmo? Porque se isso explodir, vai destruir sua carreira”.

Esse comentário dela vai se decisivo para o desfecho da terapia de Sunil e até mesmo dele com ela. 




Adele para Paul: Posso sentir o quanto está bravo comigo e é interno. E ainda, não estou preocupada de que você derrube essa mesa e me estrangule.


*Fotos:








O aperto das mãos de adeus entre Adele e Paul

2 comentários:

  1. Gosto demais desse seriado... Mas realemtne.. a terceira temporada se superou.. As sacadas da Adele são muito boas; ela vai fundo na vida do paul e se coloca como terapeuta dele...
    stou ansiosa por notpicias de uma quarta temporada.. adoraria saber se essa terapia vai continuar.. rsss...
    Essa análise do episódio foi muito boa.. gostei muito...

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  2. Este seriado é realmente muito bom. Gostaria que houvesse a quarta temporada e que o Paul voltasse a fazer terapia com a Adele, ela é muito boa.

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